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US$ 387,5 milhões depois, a Bitget vai reabrir a saída por etapas.

Cofre digital e carteiras conectadas representando custódia e saques em uma corretora de criptomoedas

Na tela, o saldo pode continuar lá. O teste de verdade começa quando você tenta tirar o dinheiro.

A Bitget elevou para cerca de US$ 387,5 milhões a estimativa de ativos transferidos para endereços controlados pelos responsáveis pelo ataque de 24 de setembro. O número anterior era de US$ 351,6 milhões. Segundo a empresa, a diferença veio da identificação de ativos adicionais nas redes Zcash e TRON — não de uma nova rodada de transferências não autorizadas.

A corretora também apresentou um cronograma para reabrir os saques por etapas. Bitcoin está previsto para voltar primeiro. Depois vêm redes ligadas ao Ethereum e, na sequência, as principais redes de USDT. Outros tokens, operações com moeda fiduciária e P2P ficam para a última fase.

EM 30 SEGUNDOS

O NÚMERO QUE IMPORTA

US$ 387,5 milhões

É a estimativa mais recente divulgada pela Bitget para os ativos enviados a endereços controlados pelos atacantes. Trata-se de uma atualização da contabilidade do incidente, não de um novo ataque confirmado.

O saldo ficou. A saída ganhou calendário.

A Bitget afirma que os saldos dos usuários permanecem corretos e que seu fundo de proteção cobrirá o impacto financeiro. A empresa também diz que as cold wallets não foram afetadas e que o problema ficou restrito a partes de sua infraestrutura de carteiras quentes e mornas.

Essas declarações respondem a uma pergunta importante: a corretora diz que os clientes não arcarão com a perda.

Mas existe uma segunda pergunta, igualmente prática: quando o cliente volta a conseguir movimentar o próprio patrimônio?

A diferença é simples. Solvência é ter ativos suficientes para honrar obrigações. Liquidez é conseguir entregar o dinheiro no momento em que ele é pedido. Um saldo protegido, mas temporariamente indisponível para saque, é melhor do que um saldo perdido. Ainda assim, não equivale a dinheiro sob controle imediato do usuário.

A reabertura não acontece de uma vez

O cronograma divulgado pela Bitget prevê quatro etapas, todas às 08:00 UTC:

Esse é um plano anunciado pela empresa. Não é garantia de execução antecipada nem confirmação de que todas as redes já estão normais. A própria plataforma deve indicar a disponibilidade de cada ativo.

Para o usuário, a ordem importa. Quem tem Bitcoin pode recuperar a mobilidade antes de quem depende de outros tokens ou de saques em dinheiro tradicional. Duas pessoas dentro da mesma corretora podem, portanto, viver tempos diferentes para acessar o patrimônio.

Por que o valor subiu US$ 35,9 milhões

A diferença entre as duas estimativas é de aproximadamente US$ 35,9 milhões. A Bitget atribui o aumento à inclusão de ativos afetados em Zcash e TRON que ainda não estavam no cálculo inicial.

A empresa afirma que o caminho usado no ataque foi identificado, que a vulnerabilidade foi corrigida e que novas transferências não autorizadas por essa falha não seriam mais possíveis. Essas são declarações da própria Bitget. Ainda não substituem um relatório independente e definitivo sobre o incidente.

A corretora também lançou um programa de recompensa para recuperação. Participantes elegíveis podem receber 5% dos valores efetivamente congelados ou recuperados quando sua atuação voluntária produzir esse resultado. A empresa diz que parte dos ativos já foi congelada, mas ainda não publicou um total final recuperado.

O XRP mostra por que “congelar” não é automático

Segundo reportagem da CoinDesk, carteiras ligadas ao ataque movimentaram cerca de US$ 83 milhões em XRP. Aproximadamente US$ 75 milhões permaneceriam em contas que não podem ser congeladas diretamente pela Ripple apenas por decisão da empresa.

Esse detalhe desmonta uma expectativa comum: blockchain não funciona como uma conta bancária tradicional com um único botão central de bloqueio. A capacidade de interromper ou recuperar fundos depende do ativo, da rede, da cooperação de emissores, corretoras e autoridades — e da velocidade com que todos conseguem agir.

Stablecoins emitidas por empresas podem ter mecanismos de congelamento. Ativos nativos de outras redes seguem regras diferentes. Colocar tudo sob o rótulo “cripto” esconde essas diferenças operacionais.

LENTE MNS

O mercado cripto costuma tratar custódia como uma escolha binária: ou a moeda está com você, ou está com a corretora. A vida real é menos elegante.

Uma corretora centralizada entrega conveniência. Ela organiza compra, venda, conversão, senha, recuperação de conta e múltiplas redes. Em troca, o usuário aceita que a camada operacional — carteiras, validações, segurança e saques — continue sob controle da plataforma.

A autocustódia elimina parte desse risco de intermediário, mas cria outros. Perder a chave, assinar uma transação maliciosa ou cair em fraude pode ser irreversível. Não existe solução sem risco. Existe risco entendido, distribuído e compatível com o uso do dinheiro.

A pergunta mais útil não é “corretora ou carteira própria?”. É: quanto do patrimônio depende de uma única porta para sair?

O QUE ISSO MUDA?

Se você usa uma corretora, três verificações cabem agora:

Quando os saques voltarem, agir no impulso também pode sair caro. Uma transferência pequena de teste ajuda a confirmar endereço, rede e taxa antes de mover um valor maior. Copiar um endereço errado ou escolher uma rede incompatível transforma pressa em prejuízo.

Isso não é recomendação para retirar tudo. É uma forma de reconhecer que preço não é o único risco. Acesso também é risco financeiro.

O QUE ACOMPANHAR AGORA

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O que devo verificar antes de deixar dinheiro em uma corretora de cripto — e quanta liquidez deveria manter em outro lugar?

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FONTES

Os números, o cronograma e as declarações da empresa vêm dos comunicados oficiais da Bitget publicados entre 24 e 26 de setembro de 2026. A movimentação em XRP foi reportada pela CoinDesk. A investigação permanece aberta.